Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens

27 de janeiro de 2010

César Henrique: "a maior realização tanto pessoal quanto profissional"

Tudo começou num belo dia em que eu fuçava em alguns sites na internet. Eu que havia acabado entrar no curso de agronomia, procurava algum tipo de estágio que fosse bem interessante, um que chegasse a ser internacional, de tão interessante.

Logo encontrei o que tanto procurava, o site da CAEP. Desde este dia, tudo o que eu sonhava em fazer algum dia se tornava realidade.

Então, conheci o trabalho da CAEP e comecei a me preparar para a maior oportunidade da minha vida até então. Eu escolhi um estágio na área de grãos, pois essa é uma área que eu gosto muito de trabalhar e que faz parte da minha vida há muito tempo.

Fui selecionado para uma fazenda de grãos com pecuária de corte no estado de Dacota do Norte nos Estados Unidos. Embarquei pra lá em março de 2009 e cheguei praticamente no final do inverno. Era uma fazenda próxima a Jamestown, Dacota do Norte, de cerca de 6000 acres administrada pelos Carlsons, o Gari e o Jason, que são pai e filho respectivamente, ou seja, é um negócio familiar.

Eu vivia na casa do Jason Carlson, juntamente com a familia dele, esposa e filhas. Quanto a moradia, eu fiquei muito bem instalado, tinha um quarto só meu e dividia a refeição com a família, me sentia praticamente em casa. Logo que cheguei me forneceram um carro muito bom e bem confortável e até com gasolina por conta da fazenda.

Não tive nenhum problema quanto moradia, muito pelo contrário, fui tudo ótimo. Ninguém era mal educado ou chato na fazenda, todos eram muito bem educados, muito pacientes e sempre bem humorados, era divertido estar lá.

No início sempre é meio difícil a adaptação, sentia saudades de casa, da família e dos amigos, mas logo q passei a me acostumar e a me ocupar com o trabalho tudo foi ficando melhor. O inglês foi muito bom de ter aprendido e, graças a isso, hoje me comunico sem problemas com uma boa fluência. Fiz muitas amizades com muitos brasileiros que estavam estagiando lá na região, e sempre nos reuníamos para matar um pouco a saudade de casa e para poder nos divertir um pouquinho.

Quanto ao trabalho na fazenda foi bem tranquilo, eu começava a trabalhar entre as 7:00 e 7:30 da manhã e parava até entre 6:00 e 7:00 da noite, dependendo do serviço que a gente estivesse desenvolvendo por lá. Durante o plantio e a colheita a gente tinha um jornada de trabalho maior, mas nada que fosse desgastante ou puxado demais. Lá aprendi a fazer muita coisa que eu nunca tinha feito aqui no Brasil. Fui tratorista, caminhoneiro, carreteiro, operador de colheitadeira, mecânico e muito mais.

Na fazenda planta-se soja, milho e trigo, além de criarem gado de corte também. Eu acompanhei de tudo lá, desde o preparo de solo para o plantio da nova safra, até a colheita, bem como acompanhamento técnico, pulverização e outras coisas mais.

Quanto ao gado, trabalhei pouco, mas passei um bom tempo cortando feno e enfardando-o para alimentar o gado no inverno, mas acompanhei também a vacinação, marcação e castração.

A estrutura da fazenda é grandiosa. Muitos tratores, colheitadeiras e todo tipo de máquinas, ferramentas e estruturas capazes de fazer um bom trabalho de maneira rápida, simples e fácil, tudo sempre ao lado da mais alta tecnologia, é claro. Quanto à remuneração, pága-se muito bem por lá, tendo em vista que praticamente não tive nenhuma despesa relacionada com alimentação ou gastos com moradia.

Penso que essa foi a maior realização tanto pessoal quanto profissional de toda a minha vida até hoje. Vejo que mudei muito a minha maneira de ser e de ver como as coisas funcionam, que tudo que vc deseja fazer algum dia pode ser possível, basta correr atrás. Profissionalmente, acredito que esse estágio me abrirá muitas portas, desde a experiência profissional até o conhecimento de uma nova língua. Estou muito feliz de ter conhecido a CAEP e de ter tido a oportunidade de ter feito esse estágio, que sem dúvida nenhuma, me trará muito sucesso no futuro na minha carreira como agrônomo.

Obrigado a CAEP por ter me dado a maior oportunidade da minha vida!

3 de dezembro de 2009

Entrevista com José Renato Donadon



CAEP: Depois dessa experiência de estágio, quais benefícios pessoais e profissionais você considera os principais?
Donadon: Novas tecnologias na área de grãos, contato cultural com outras famílias, que é um dos princípios da CAEP, trocar informações da área de grãos com os fazendeiros e aprender inglês.
Profissionalmente, contato com tecnologia na área de grãos, porque os EUA são bem mais avançados que o Brasil. A tecnologia lá sempre vem primeiro e depois para o Brasil, como a biotecnologia, transgênicos, maquinários. Na parte econômica, aprendi como trabalhar com o mercado futuro da safra, para comercialização dos grãos.




CAEP: Por que você indicaria esse programa?
Donadon: Primeiro por segurança e apoio quando você está fora, principalmente quando você vai trabalhar em fazenda. A segurança é fundamental.
Segundo a tecnologia que você vê lá, no Brasil chega após 5 anos, lá você tem transferência de tecnologia mais rápida.

CAEP: Como era a fazenda onde você estagiou? Em que região?
Donadon: A fazenda localizada em Sydney, Montana. Era um estágio com agricultura e pecuária. A produção agrícola era de milho, trigo, cevada e beterraba açucareira. Em confinamento criava animais das raças hereford, aberdeen e red angus e a alimentação a base de silagem de milho e alfafa como volumoso e não lembro o que usava como concentrado.

CAEP: Como era a sua rotina fora da fazenda?
Donadon: Trabalhava até sábado meio-dia, voltava para casa e organizava as tarefas de casa. Preparava o almoço, ia para a cidade, ao supermercado, conhecendo nomes de produtos, ia em revendedoras de produtos agrícolas e de maquinários. Cuidava do jardim, deixava a grama cortada, fazia limpeza do automóvel que usava para trabalhar. Além de fazer viagens para cidades vizinhas, visitava amigos. Saía com outros integrantes da CAEP. Fiz um amigo dinamarquês que, inclusive, veio para o Brasil.




CAEP: Que atividades você desenvolveu?
Donadon: Serviços em geral: irrigação, roçagem, transporte, lidar com o gado, arrumar cerca, construir parte de instalações, colheita, transporte da colheita, preparo de sulco para irrigação, gradagem.Todos os serviços que fazem parte da fazenda.

CAEP: Os tratos fitossanitários das culturas são bem diferentes do Brasil?
Donadon: Algumas doenças e pragas como a larva alfinete e a lagarta da espiga são comuns, mas em geral são diferentes.

CAEP: Que nível de inglês você tinha? Teve dificuldade?
Donadon: Inglês pelo menos o básico para conversação. Nos 2 primeiros meses tive um pouco de dificuldade a partir do terceiro e quarto meses não tive tanta dificuldade.

CAEP: Para você, qual a maior diferença entre o sistema produtivo do Brasil e dos EUA?
Donadon: A maior diferença, maior acesso à tecnologia, é mais rápido que o nosso. Em biotecnologia estão mais avançados, estão na terceira geração enquanto estamos na primeira.

CAEP: O que você recomenda na vivência com a família?
Donadon: Passar confiança e segurança para eles para que eles possam abrir as portas, dar novas atividades. Tem a frieza deles, mas com o tempo muda, eles ficam mais próximos, se você mostrar serviço, acaba conquistando os americanos.


CAEP: Qual sua dica para quem pretende fazer esse estágio?
Donadon: Quando você vai fazer estágio você não visa dinheiro, tem que ir e aprender como eles trabalham na agricultura. Você faz parte da família, tem um prazo pra plantar, colher. Tem que trocar informações e voltar para o Brasil.

Donadon é acadêmico de agronomia da UFSCAR em Araras.

22 de setembro de 2009

DEPOIMENTO – Rafael Cruvinel





"Sem dúvida a melhor e mais importante experiência da minha vida”




Durante sete meses trabalhei em uma granja leiteira e laticínio situados no estado de Dakota do Norte no Estados Unidos. A fazenda produzia leite tipo A, queijos e iogurtes, e toda a cadeia de produção acontecia dentro da própria fazenda. Todo o trabalho -campo e planta processadora- era conduzido por seis pessoas: Blaine Goetz (proprietário da fazenda), Kathy Goetz (esposa de Blaine), Travis Goetz (filho mais velho de Blaine), Cho Yang Sang (estagiário da Corea), Hiroki (estagiário do Japão) e eu.










Fazenda de gado de leite e o seu processamento exigem bastante das pessoas que nela trabalham. As vacas eram ordenhadas todos os dias, duas vezes ao dia.
Travis era responsável pela parte de campo enquanto que Blaine ficava na planta processadora. Kathy e os estagiários trabalhavam em ambas as partes. As principais atividades realizadas por mim foram: ordenha das vacas, higienização da sala de ordenha e planta processadora, alimentar os bezerros, pasteurizar e envasar o leite, análises microbiológicas e fisico-químicas, fabricação de queijos e iogurtes, inseminação artificial e cuidados com a saúde e bem-estar dos animais.



O começo do estágio foi difícil, já que eu estava em um país diferente, com cultura, comida e língua diferentes. Além de todas estas dificuldades que eu citei, o inverno em Dakota do Norte é muito rigoroso. Nos meses de fevereiro e março ventava e nevava quase que todos os dias e a temperatura variava entre -20 a -30ºC. Com certeza essa foi a minha maior dificuldade. Porém após a fase de adaptação as coisas realmente melhoraram e o tempo passou muito rápido. Era preciso estar sempre disposto e preparado para trabalhar e o crescimento profissional aconteceu automáticamente. Todos os dias aprendia sobre novas tecnologias. O que eu posso falar sobre meu estágio é que esta foi, sem dúvida, a melhor e mais importante experiência da minha vida. Aprendi realizar todos os tipos de trabalho e conheço toda a cadeia de produção do leite tipo A. Não tenho palavras para agradecer a família Goetz. Considero-os como minha segunda família e jamais esquecerei tudo o que fizeram por mim. São realmente pessoas especias.
Após o fim do meu estágio tive a oportunidade de conhecer uma boa parte da costa oeste dos Estados Unidos. Foi uma viagem maravilhosa. Passei por Los Angeles e San Francisco no estado da Califórnia, Las Vegas no estado de Nevada e realizei o sonho do conhecer o Grand Canyon situado no estado do Arizona.


Foram alguns meses da minha vida que dediquei quase que exclusivamente ao meu trabalho. Acredito realmente que foi um divisor de águas em minha vida. Estou mais forte, amadurecido e acredito muito em mim mesmo. Estou mais corajoso e não me preocupo mais se os próximos desafios em minha vida serão fáceis ou difíceis, sejam eles profissionais ou pessoais. Tenho certeza irei vencer TODOS!
A CAEP, meus sinceros agradecimentos pela grande oportunidade.



Rafael é acadêmico da UFLA.